O comportamento do consumidor e das empresas durante e pós COVID-19.
Conforme estamos avançando nesse período crise sanitária global, o que se percebe é que as empresas querem descobrir qual será a tendência do comportamento do consumidor pós pandemia. Essa corrida já começou a alguns meses atrás entre os fabricantes de bens de consumo, e estes tentam se reinventar, assim como seus portfólios. Com o fechamento temporário das fronteiras e medidas de segurança sanitárias, como o distanciamento social, criou-se uma necessidade tanto entre as empresas, como entre os consumidores em se adaptar ao “novo normal”. As mudanças nos padrões de demanda influenciaram nas cadeias de suprimentos que antes eram estáveis, sofreram rupturas e planos de contingência para no súbito processo de adaptação no qual nos encontramos e ainda estamos sendo impactados.
Muitos empresários demoraram para aceitar a mudança abrupta de paradigma, no que acarretou, a alguns, grandes perdas de mercado, consequentemente econômicas e em muitas até mesmo a falência. De acordo com Diamond (2001) em seu livro: Armas, Guerra e Germes – Os Destinos das Sociedades Humanas é que sempre um desses três geram ou aceleram os processos que já estavam em curso, como o tecnológico. Sendo assim, em pleno século XXI, ainda possuímos diversas empresas que vivem em suas bolhas tecnológicas industriais, usando tecnologias da indústria 1.0, 2.0 ou 3.0. No Brasil, poucas podem ser consideradas inseridas na indústria 4.0.
Não podemos esquecer que a nossa sociedade é composta por nativos analógicos, imigrantes digitais e nativos digitais. Deste modo, a grande maioria nesse período de isolamento teve que adequar em suas vidas o uso das plataformas digitais tanto para o trabalho como para a vida social. De acordo com o instituto Mckinsey (2020), menos de 30% dos executivos consideravam que suas empresas estavam equipadas para lidar com as mudanças. Mas o que se deve levar em conta não é apenas um “sentimento fé”, mas sim uma necessidade melhorar seus processos, tanto a nível tecnológico como a valorização junto as empresas dos hard skills, soft skills e spiritual skills do capital humano.
Voltando a analisar o outro lado da moeda, o do consumidor, nota-se um processo de crescimento da reavaliação das prioridades básicas do consumo como vestuário, alimentação e consumo de tecnologia. Desde a influência do preço, ou de necessidades emergentes de higiene no início da pandemia, estas influenciaram os canais de vendas. Passados alguns meses, pode-se observar que muitos desses novos comportamentos vieram para ficar. Dentre esses processos de mudança temos como exemplos novos produtos entrando no mercado, ou experiências que antes não eram pensadas pelo consumidor. Como exemplo o aumento pela procura de produtos para exercícios em casa, ou produtos para a mesma, aulas e cursos on-line, trabalho em home office, etc…
Com a reestruturação de toda uma cadeia de logística entre as empresas, os consumidores optam por marcas em que podem confiar. Deste modo vimos marcas como a Amazon ou Magazine Luiza – Magalu, crescerem seu faturamento em poucos meses. Sendo assim, a corrida tecnológica na cadeia de suprimentos e distribuição torna-se um dos pontos fundamentais para que o consumidor receba o seu objeto de consumo. Além disso, a satisfação é um dos pontos primordiais para o fortalecimento de uma marca, assim com o bom feedback do consumidor pós compra, sendo este também um agente processo de valorização da marca no mercado.
Como tendência de consumo o que veremos nos próximos meses possivelmente será o balanço do consumidor do que foi de melhor e pior nos ambientes virtuais e físicos e o repensar do consumo pela análise do que é necessário, de valor justo e sustentável. Está surgindo uma revisão nos processos de identidade dos indivíduos com suas identificações com as marcas famosas ou não.

Prof. Fabiano Tulazs Damiati
Mestrado em Comunicação pela Universidade Paulista – UNIP (2013) orientado pela Prof. Dra. Anna Maria Balogh. Especialização em Docência no Ensino Superior pelo Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio S/A – CEUNSP (2003) e Graduação em Propaganda e Marketing pela Universidade Paulista – UNIP (1998). Experiência na área de Comunicação e atuando principalmente nos temas Design, Marketing, Comunicação e Organização.
