É cada vez mais comum, principalmente no meio empresarial e financeiro, encontrar a sigla ESG (Environmental, Social and Governance, em inglês), conhecida também como ASG (Ambiental, Social e Governança). De modo geral, investimento ESG é aquele tipo de investimento que vai além das métricas financeiras como critério de análise, incorporando também fatores ambientais, sociais e de governança.
Os fatores ambientais abordam questões relacionadas ao meio ambiente, como uso de recursos naturais, gestão de resíduos e efluentes, eficiência energética, emissões de gases de efeito estufa, educação ambiental, entre outros. Os fatores sociais envolvem direitos humanos, relações de trabalho, políticas de inclusão e diversidade, engajamento dos funcionários, relações com comunidades, organizações da sociedade civil, consumidores, etc. Já os fatores de governança, tratam de ética, transparência, prestação de contas, gestão de riscos e oportunidades, composição e independência do conselho de administração, políticas de remuneração, entre outros.
Mundialmente, fundos que definiram estratégias sustentáveis possuem mais de US$30 trilhões em ativos sob gestão, com destaque para a Europa (que representa 46% desse total), e os Estados Unidos (39%). Dentro do continente europeu, o total de ativos sustentáveis corresponde a mais de 50% dos ativos sob gestão, enquanto nos Estados Unidos, tais ativos representam 26%. Além disso, a tendência de crescimento dos princípios ESG é evidenciada também pelo PRI (Principles for Responsible Investment, ou Princípios para o Investimento Responsável), um compromisso dos grandes investidores institucionais de investir em negócios sustentáveis, que atualmente possui mais de 3000 membros signatários, contra apenas 63 no ano de 2006 (XP Investimentos).
No Brasil, o cenário é um pouco diferente. Apesar do tema figurar cada vez mais em discussões, o país possui apenas 62 membros signatários do PRI, cerca de 2% do total ao redor do mundo. As áreas das empresas responsáveis por cuidar do tema, em muitos casos não existem, mas, quando presentes, costumam ser pequenas e focadas em demandas de investidores globais (CEBDS).
Nos últimos anos, grande parte dos investidores têm considerado não apenas informações financeiras, mas também aquelas relacionadas aos aspectos ESG para tomada de decisão (EY). Diversos estudos constataram que empresas que dão atenção às preocupações ambientais, sociais e de governança não enfrentam obstáculos na criação de valor, na verdade, muito pelo contrário (Mckinsey). No entanto, é importante se atentar ao greenwashing, prática realizada por empresas e outros tipos de instituições, que é caracterizada pela divulgação e promoção de discursos voltados à sustentabilidade, mas que não condizem com a prática.
Em meio a um cenário de dificuldades na implementação de práticas ESG, especialistas apontam que vincular a remuneração de executivos a metas ambientais, sociais e de governança, é um dos caminhos para colocar ideias em prática (O Globo).
É evidente que o Brasil já caminha em direção a adoção de práticas ESG, seja por meio de instituições referência que já possuem iniciativas consolidadas, ou pelo simples ato de debater o tema dentro das organizações. Porém, há oportunidade para ir além. Empresas que não se adaptarem a essa nova realidade, e de maneira ágil, correm sério risco de ficar pra trás.

